A importância do acesso vascular na doença renal crônica.

A doença renal crônica (DRC) é considerada um problema de saúde pública, atingindo milhões de pessoas em todo o mundo, e gerando grande impacto na qualidade de vida dos indivíduos acometidos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), um em cada dez brasileiros tem problemas renais. A elevação da expectativa de vida da população contribuiu para o aumento de doenças como hipertensão arterial e diabetes mellitus – as principais responsáveis pelo surgimento da doença renal crônica.

A DRC caracteriza-se por lesão renal com perda progressiva e irreversível das funções dos rins. Em sua fase mais avançada – chamada fase terminal – os rins não conseguem manter seu funcionamento mínimo de eliminação de toxinas e manutenção do equilíbrio interno e o paciente precisa iniciar a diálise para manutenção de sua vida. Ainda de acordo com a SBN, 70% dos pacientes em diálise descobriram a doença tardiamente, muitos deles iniciando a terapia dialítica em caráter de urgência, com maior risco de complicações e de morte.

Dentre as possibilidades de terapia dialítica, a hemodiálise é a modalidade mais amplamente utilizada. Durante a sessão, uma parte do sangue é retirada do corpo do paciente e passa por um dialisador – onde é filtrada – retornando ao paciente após esta depuração/limpeza artificial.  Para a realização do procedimento hemodialítico, faz-se necessária a confecção de um acesso vascular definitivo, chamado fístula arterio-venosa (FAV). Um acesso vascular considerado ideal é aquele capaz de fornecer um fluxo de sangue adequado para ser filtrado, duradouro ao longo do tempo e facilmente accessível, com baixas taxas de complicações como trombose ou sangramento.

O cirurgião vascular – responsável pela confecção da FAV – realiza a junção de uma veia com uma artéria, geralmente no membro superior do paciente, desviando parte do fluxo arterial do membro (em alta velocidade) para a veia.

E por que o fluxo arterial tem que ser desviado para a veia do membro superior?

Para que a diálise seja efetiva, um vaso sanguíneo do paciente deve ser puncionado, fazendo com que todo o sangue do paciente passe várias vezes pelo dialisador, permitindo diálise efetiva em cerca de 4 horas.

Os vasos sanguíneos são as artérias e as veias.

As artérias possuem elevado fluxo sanguíneo, porém são dificieis de serem puncionadas, processo bastante doloroso e arriscado (risco de amputações inclusive).

Já as veias superficiais dos membros superiores são fáceis de serem puncionadas, processo relativamente indolor; porém o fluxo sanguíneo é muito reduzido, não permitindo diálise em 4 horas e tornando o paciente dependente da diálise durante o dia todo.

A fistula arteriovenosa reune as características desejadas das artérias e veias, associando a punção fácil e indolor da veia superficial, com o alto fluxo das artérias.

O que é preciso para a confecção desta fistula?

É necessário um cirurgião vascular com grande experiência neste tipo de cirurgia delicada, pois trata-se da união de duas estruturas com cerca de 3 a 4 mm de diâmetro.

Além disso o paciente precisa ter uma veia saudável no membro superior, assim como uma artéria com fluxo adequado.

Uma vez feito a fístula arteriovenosa a minha diálise está garantida para o resto da minha vida?

Não. O processo de hemodiálise evoluiu muito os últimos anos, reduzindo a incidência de complicacões que levam o paciente ao óbito. Sendo assim, os pacientes agora podem viver muitos anos realizando hemodiálise.

Já as fistulas apresentam duração limitada, gerlamente de 6 a 8 anos, decorrente de complicações das mesmas, tais como: hematomas, tromboses e estenoses (estreitamentos).