Trombose venosa profunda e embolia pulmonar

A trombose venosa profunda é definida como a formação de trombos (coágulos) no interior das veias.

Para entender melhor sobre a causa, consequência e riscos desta doença, é preciso entender como funciona o sistema circulatório do nosso corpo.

               O sistema circulatório é dividido em dois sistemas separados (isolados) que porém atuam em conjunto, são eles: a circulação pulmonar e a circulação sistêmica. Estes dois sistemas se comunicam através das câmaras cardíacas.

               O sangue chega ao coração através do átrio direito (câmara cardíaca), dando entrada na circulação pulmonar. Do átrio direito é direcionado para o ventrículo direito (câmara cardíaca), onde é bombeado através da artéria pulmonar para o pulmão. Este sangue ao chegar no pulmão é pobre em oxigênio, fundamental para o funcionamento das células; e rico em CO2, que em concentrações muito elevadas pode ser fatal. Ao passar pelos capilares pulmonares, o CO2 é retirado do sangue e as hemácias recebem o oxigênio proveniente da respiração.  Após esta etapa, o sangue já foi preparado pela circulação pulmonar para exercer a sua função primordial no transporte de substâncias essenciais para o funcionamento das células.

               Neste momento ele retorna ao coração através do átrio esquerdo, dando entrada na circulação sistêmica, muito maior e mais complexa do que a anterior. Do átrio esquerdo ele é direcionado ao ventrículo esquerdo (câmara cardíaca mais potente), sendo bombeado para todo o corpo através das artérias (aorta e seus ramos).  Após passar por todas as células do corpo, o sangue precisa voltar novamente para a circulação pulmonar e iniciar um novo ciclo. São as veias que irão levar este sangue de volta ao coração.

É justamente neste segmento da circulação, onde ocorre a maior parte dos problemas, devido à sua maior “fragilidade”.  

Esta maior fragilidade se deve à duas características fundamentais. Este é um sistema de baixa pressão e baixa velocidade, pois nós não temos um “coração nas extremidades”, ou seja, uma bomba para impulsionar o sangue de volta. E a situação é mais crítica nos membros inferiores, onde o sangue tem que vencer a gravidade para retornar ao coração.  Para auxiliar nesta função árdua, as veias contam com alguns mecanismos auxiliares, são eles: a musculatura da panturrilha, que quando ativada durante a caminhada, propulsiona o sangue para cima; a respiração, que durante a fase inspiratória “aspira” o sangue para o coração; e as válvulas presente no interior das veias, impedindo o refluxo da sangue e tornando o mesmo unidirecional.

Além destas características físicas, a circulação possui características químicas e fisiológicas fundamentais para o seu correto funcionamento. O sangue é um líquido muito precioso para o corpo, como já percebemos acima, e na sua falta morremos. Sendo assim, precisamos de mecanismos para impedir o seu vazamento em situações de lesões ao sistema circulatório, os temidos SANGRAMENTOS.  Para esta função contamos com um sistema de coagulação, que em situações normais só é ativado quando detectado algum sangramento e rapidamente desativado após controle do mesmo. Se esta coagulação não for “desativada”, ocorre a formação de trombos (coágulos) no interior das artérias e veias, impedindo a circulação sanguínea.  Este sistema de reparo dos sangramentos também tem um calcanhar de Aquiles: se o sangue não estiver circulando, ele coagula!!!

Agora será muito mais fácil entender como acontece a trombose venosa! Ela acontece quando o fluxo nas veias está muito lento ou quando temos algum problema no sistema de coagulação.

E quando isto acontece?

Ela acontece principalmente em pacientes acamados ou com mobilidade reduzida por qualquer motivo, situação onde a musculatura da panturrilha não é utilizada. Ou seja: pacientes graves em CTI, pós operatórios, imobilizados por fraturas ortopédicas, doenças neurológicas com dificuldade para deambular e etc.

Outra situação que aumenta a probabilidade de trombose venosa são as doenças das veias, principalmente o mal funcionamento das válvulas, representado pelas varizes de membros inferiores.

E não podemos esquecer das doenças pulmonares, principalmente o DPOC, onde ocorre aumento da pressão torácica, prejudicando o retorno do sangue ao coração.

Mas e a coagulação. O que pode alterar a coagulação?

As situações mias corriqueiras que levam à alterações neste sistema são o tabagismo e o uso de anticoncepcionais orais (estrogênio).

Sendo assim, mulheres devem evitar o uso desta substância se já possuem outros fatores de risco para trombose, tais como: tabagismo, presença doenças pulmonares, varizes de grosso calibre ou insuficiência venosa crônica de membros inferiores e etc. Além disso, é fundamental suspender o tabagismos antes e depois de cirurgias.

Outras doenças hematológicas raras (alteração no sistema de coagulação) também podem ocasionar maior propensão à trombose venosa, porém felizmente são incomuns.

Quais são os sintomas desta doença?

               Os principais sintomas são a dor e inchaço nas pernas, ocasionados pela obstrução do fluxo sanguíneo que leva ao acúmulo de sangue nos membros inferiores.

Porém diferentemente das varizes que também podem causar estes sintomas, o início deste quadro é abrupto e não insidioso como nestas.

Outra característica muito importante é que os sintomas geralmente estão associado à presença dos fatores de risco descritos acima.

Nesta situação é fundamental procurar atendimento médico de emergência e o diagnóstico é confirmado pela realização do EcoDoppler venoso em cores dos membros inferiores, exame indolor.

Como é o tratamento?

O tratamento é baseado na administração de anticoagulantes, que tem como objetivo “dissolver o trombo” e impedir que fragmentos do mesmo se desprendam levando à embolia pulmonar. Este medicação deve ser mantida por pelo menos 6 meses.

Já estava me esquecendo da embolia pulmonar. O que é isto?

               O grande risco da trombose venosa profunda de membros inferiores é a embolia pulmonar. Os trombos na fase inicial são “moles”, podendo se fragmentar e circular pelo corpo, juntamente com o sangue.

               Quando isto acontece, ele irá percorrer o trajeto da circulação venosa, conforme explicado incialmente. Ou seja, irá percorrer as veias da circulação sistêmica, dando entrada na circulação pulmonar. É neste momento que a doença pode se tonar muito séria, pois a obstrução de veias pulmonares altera a oxigenação do sangue, podendo levar à baixa oxigenação do sangue e dispnéia (falta de ar) crônica.

               Além desta alteração, se o fragmento de trombo desprendido for grande, ele pode levar à obstrução maciça da circulação pulmonar, levando a falência cardíaca e morte súbita. Este efeito é semelhante ao de uma bomba de água com encanamento entupido, onde a bomba para de funcionar imediatamente por sobrecarga.

               Por este motivo é fundamental o início da anticoagulação em caso de suspeita de trombose venosa, além repouso na fase inicial da doença, pois os movimentos dos membros inferiores aumentam o risco de embolia pulmonar. Após cerca de 48 a 72h em uso de anticoagulantes o risco de embolia diminui significativamente.

Existe prevenção para trombose venosa profunda de membros inferiores?

               Sim. A deambulação (andar) é a medida mais simples e eficiente para prevenção de trombose. No entanto, em algumas situações ela não é possível, pois o paciente está acamado. Nestas situações podemos utilizar os anticoagulantes (segunda medida mais simples e eficiente), meias elásticas ou equipamentos especiais – compressores pneumáticos.

               Os compressores pneumáticos simulam os movimentos da musculatura da panturrilha, impulsionando o sangue em direção ao átrio.          

               Outras medidas importantes e que já foram citadas anteriormente é evitar o uso de anticoagulantes orais e cessar o tabagismo.

As viagens longas de avião aumentam o risco de trombose nas pernas?

               As viagens longas aumentam a incidência de trombose devido à imobilização da musculatura da panturrilha.

               Sendo assim, existem algumas medidas simples que podem diminuir a incidência desta doença em viagens de longa duração. São elas: realizar pequenas caminhadas dentro do avião, fazer exercícios com a musculatura da panturrilha (mexendo os pés) e usar meias elásticas.

               Em pacientes com história de trombose venosa, doenças graves e outras condições especiais, pode ser necessário a administração de anti coagulantes, porém essa decisão deve ser tomada após consulta com médico especialista (Cirurgião Vascular ou angiologista), onde o seu caso será avaliado individualmente.

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trombose venosa profunda e embolia pulmonar